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Portugal eucaliptal

Houve em tempos um candidato à presidência de Portugal que se propôs a alcatifar o país. Na mesma onda, vem agora a ministra do ambiente Assunção Cristas propor uma verdadeira “eucaliptazação” de Portugal.
Em Maio deste ano a Portucel, um dos gigantes da produção de papel em Portugal, anunciou que precisava de mais 40 mil hectares de eucaliptos para avançar com a construção de uma nova fábrica. Ainda no mesmo mês, o governo Português vem com alterações à lei florestal que facilitam a plantação do eucalipto. Há cada coincidência…

O eucalipto é uma árvore originária da Austrália trazida para Portugal com fins comerciais. Sendo uma espécie de crescimento mais rápido, tem (a curto prazo) vantagens comerciais e por isso é uma espécie muito querida da indústria do papel. Mas há o outro lado da moeda. O eucalipto é um dos responsáveis pelo aumento do número de fogos florestais em Portugal. O eucalipto é uma espécie que seca e empobrece os solos favorecendo a desertificação. O eucalipto destrói a floresta Portuguesa porque onde é plantado nada mais cresce.

Até agora a lei previa que numa área ardida fossem plantadas as mesmas espécies que antes lá existiam. Isso fazia com que, pelo menos teoricamente, não houvesse incentivo para atear fogos e expandir o uso de espécies de uso industrial como o eucalipto. Segundo a nova lei, parcelas até 10 hectares vão poder ser plantadas com qualquer espécie de árvore, sem necessidade de qualquer licença. Ora aqui temos o inicio de um potencial ciclo vicioso. Ardem os pinheiros, desesperam os proprietários, plantam-se eucaliptos. É um convite ao fogo posto com motivação económica.

É verdade que enfrentamos uma crise económica. Por isso compreendo que o pequeno proprietário, cansado de ver as suas árvores arder, ceda à tentação enganosa do eucalipto. Compreendo até que o governo português tenha a tentação de fazer dinheiro fácil cedendo aos pedidos da indústria do papel. O que não percebo é que haja tantos proprietários florestais irritados com o aumento dos fogos florestais em Portugal e que o governo ache que servir os interesses de uns poucos privados é servir o interesse nacional. Faz sentido tentar resolver a crise de hoje acendendo o rastilho da próximo crise? Eu, acho que não.

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