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Zoos há muitos seu palerma!

Os parques ou jardins zoológicos, também conhecidos por Zoos, são lugares únicos mas nada consensuais. Enquanto uns vêem nestes espaços janelas para um mundo natural distante, outros destacam a falta de contributo deste lugares para a conservação das espécies e a educação do seu público. Um relatório recente veio expor algumas falhas mas deixou muito por dizer.
Foi recentemente notícia o relatório “Investigação da União Europeia aos Zoos 2011” que avaliou 10 Zoos portugueses quanto à segurança, bem-estar animal e contributo para a conservação e educação. Sou o primeiro a reconhecer a necessidade de estudos como este.
É importante que sejam identificadas falhas para que possam ser corrigidas. É importante que os Zoos reconheçam que muitos dos argumentos que usam para justificar a sua própria existência não tem “pernas para andar”. Mas, é igualmente importante que registe as diferenças que há entre parques e as melhorias que ao longo da última década se tem registado em alguns deles. Há que separar o trigo do joio e isso este relatório não faz.

Em Portugal há Zoos que nem têm licença para funcionar. Esta é claramente uma minoria mas existe. Logo por aqui se pode ver que vamos encontrar espalhados pelo país instituições muito diferentes. Outra clara diferença é o facto de seis dos 10 parques avaliados serem membros de associações internacionais de Zoos, pois estas exigem aos seus membros não só o cumprimento das leis do país mas também de uma série de outras regras adicionais. Mas as divisões continuam. Seis dos Parques visitados estão envolvidos em actividades de investigação científica e quatro destes financiam mesmo projectos de conservação no habitat natural das espécies. Claramente os Zoos em Portugal não são todos iguais.

Importa ainda chamar a atenção para outra diferença, o tempo. O relatório apesar de estar agora a ser discutido foi feito com base em dados recolhidos em 2009. Três anos é muito tempo. Basta olhar para os melhoramentos feitos por instituições como o Jardim Zoológico de Lisboa para perceber como alguns parques tem evoluído positivamente num curto espaço de tempo.

Como alguém que trabalhou mais de cinco anos num parque Zoológico sou apenas tão imparcial como a organização de defesa dos direitos animais que elaborou o relatório de que falo acima. Tomar algumas partes pelo todo equivale a mandar um Ferrari para a sucata porque o vizinho tem um Renault 4L com 30 anos. Importa não esquecer: “Zoos há muitos!”

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De volta (?) – As aventuras do Lince Ibérico em Portugal

Quem não sabia, fica a saber. O lince-ibérico está de volta a Portugal. Ou pelo menos é essa a simpática “banha da cobra” que nos querem vender. Os mais atentos ao que passa no nosso país acompanharam seguramente, durante o ultimo mês, a chegada de 16 destes animais ao Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves. O objectivo é que se reproduzam em cativeiro para depois serem libertados na natureza, e poderem assim devolver o Lince a Portugal. E aí mesmo está o problema.

O lince-ibérico é uma espécie criticamente ameaçada de extinção, sendo que em todo o mundo não existem mais de 140, divididos pelas regiões espanholas de Doñana e Sierra Morena. Em Portugal não existem populações permanentes de lince há mais de 20 anos e o último registo no nosso país data já de 2001. Este desaparecimento deveu-se á destruição das matas onde o lince vive, aos atropelamentos em estrada e, curiosamente, à mixomatose e febre hemorrágica, doenças fatais para a sua presa mais importante, o coelho.

De momento há em Portugal uma certa euforia em redor do regresso do lince-ibérico, o que cria a ilusão de que já alcançámos o nosso objectivo. O lince está de volta, portanto podemos todos dormir descansados. A realidade, no entanto, é outra. Para o lince-ibérico estar realmente de volta ao nosso país será necessária que se mantenha suficiente habitat natural, que a população de coelho recupere e, claro, que os animais vindos de cativeiro se adaptem á vida “á sério” na natureza. Nenhuma destas condições é um dado adquirido. Assim não será certamente na próxima década que a espécie sairá da prateleira das espécies ameaçadas de extinção.

Mas, dirão os mais optimistas, não é todo isto um começo? É verdade, a chegada destes 16 linces a Portugal é sem dúvida o começo de um caminho que pode levar à recuperação do lince-ibérico em Portugal. Agora, verdade seja dita, será sempre apenas o início, e de um, longo, caminho “cheia de pedras”. Esperemos que seja o certo.

Diogo Veríssimo

http://www.Diogoverissimo.com – Publicado na edição de Janeiro do Jornal “Voz da minha Terra”


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